BELO HORIZONTE- O agiota Pedro Henrique Coelho de Souza, conhecido como "PH", foi preso nesta terça-feira (28) em uma oficina mecânica no bairro Guarani, na região Norte da capital mineira. Ele é investigado por extorsão, tortura e ameaça após um vídeo revelar agressões contra uma vítima durante a cobrança de uma dívida.
Suspeito afirmou à polícia que pretendia abandonar a agiotagem, mas investigação aponta atuação de pelo menos um ano no esquema.
O caso veio à tona depois que a Record Minas recebeu, com exclusividade, vídeos, fotos e áudios que mostravam o esquema de violência mantido por PH contra mulheres que contraíam empréstimos com ele. As imagens foram gravadas em um hotel da Rua Guaicurus, região central de Belo Horizonte.
O que mostram as imagens da agressão
Nos vídeos, PH aparece agredindo uma garota de programa com tapas, socos e chutes enquanto cobra uma dívida de R$ 10 mil. Durante as agressões, ele faz ameaças de morte e exige que a vítima entregue R$ 2 mil já no dia seguinte.
Segundo testemunhas ouvidas pela reportagem, o próprio suspeito teria divulgado o vídeo nas redes sociais como forma de intimidar outras mulheres que também deviam dinheiro a ele. A reportagem também teve acesso a áudios em que o investigado ameaça torturar vítimas e chega a dizer que os filhos de uma delas "vão crescer sem mãe".
Vítimas não eram só garotas de programa, diz delegado
O delegado José Eduardo Gonçalves, responsável pelas investigações, afirmou que o público de PH não se limitava a mulheres que atuavam na região da Guaicurus. Segundo o próprio suspeito relatou em depoimento, ele emprestava dinheiro a qualquer pessoa interessada, sem selecionar um perfil específico de cliente.
Suspeito alegou querer trocar de ramo
Ao ser abordado na oficina mecânica onde foi preso, PH disse aos policiais que o espaço era seu e que pretendia migrar para o ramo de manutenção de motocicletas, deixando a agiotagem de lado. Em depoimento anterior à prisão, ele havia justificado a intenção de mudança dizendo que "o mercado da agiotagem já está saturando aqui em Belo Horizonte".
A Polícia Civil, no entanto, contesta essa versão. Conforme o delegado José Eduardo Gonçalves, as investigações indicam que PH atua há pelo menos um ano como agiota, com um padrão de cobrança marcado por violência física, ameaças e intimidação constante das vítimas.
Suspeito admitiu venda de armas para bancar empréstimos
Durante o depoimento, PH entrou em contradição ao afirmar que havia vendido três pistolas calibre .380 para levantar dinheiro e aumentar o capital destinado aos empréstimos ilegais. As armas já haviam aparecido em fotos publicadas pelo próprio suspeito em suas redes sociais. A Polícia Civil agora apura o destino desses armamentos.
Medo mantinha vítimas em silêncio
Testemunhas relataram à reportagem que várias mulheres evitavam procurar a polícia por medo de sofrer novas agressões, ter vídeos íntimos divulgados ou enfrentar represálias do agiota e de possíveis comparsas.
O delegado informou que PH ainda vai passar por exame de corpo de delito e que novas diligências seguem em andamento para identificar outras vítimas e apurar se outras pessoas ajudaram nas cobranças e ameaças.
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