Luciara Fernandes tinha 27 anos e estava saindo de uma festa com o atual companheiro quando o ex-namorado transformou a noite em terror. Ramon Augusto de Matos, de 37 anos, bateu propositalmente o carro nela e a arrastou por aproximadamente 500 metros pelas ruas de Morro do Pilar, município localizado a cerca de 150 km de Belo Horizonte. O crime aconteceu em fevereiro deste ano e ela, agora recuperada, falou sobre os momentos de desespero à Record Minas.
"O rapaz que estava comigo batia na parte de trás do carro dele. Toda vez que ele percebia que o rapaz estava se aproximando e batendo, ele arrancava o carro com mais velocidade", relatou Luciara. A brutalidade do ato não deixa dúvida sobre a intenção do agressor.
Gravemente ferida, Luciara foi atendida na UPA de Morro do Pilar e transferida no dia seguinte para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde ficou internada por 47 dias na ala de queimados. Ao longo do tratamento, passou por quatro cirurgias e precisou realizar diversos enxertos de pele. A situação era tão grave que a prima, que a acompanhou durante a internação, chegou a assinar um termo autorizando uma possível amputação da perna.
Mesmo nos momentos mais críticos, Luciara diz que encontrou forças para resistir. "O tempo todo eu só pensava no meu filho", disse.
O histórico do caso revela um padrão assustador. Após o término do relacionamento de seis meses, Luciara passou a ser ameaçada e perseguida pelo ex. Buscou ajuda na polícia, mas não chegou a formalizar um pedido de medida protetiva — algo que já havia sido feito por uma ex-companheira anterior de Ramon, o que indica que o comportamento violento não era novidade.
Ramon se apresentou à delegacia quatro dias após o crime e foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de feminicídio. Atualmente está preso em Guanhães, no Vale do Rio Doce, aguardando julgamento. A primeira audiência está marcada para o dia 19 de junho.
O caso de Luciara é mais um alerta sobre a importância de registrar boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva ao primeiro sinal de ameaça. Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda pelo Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas, de forma gratuita e sigilosa.
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