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BELO HORIZONTE (MG)- Mais de 20 dias após a morte de Andercy Pereira da Silva, atropelada no Anel Rodoviário, a família ainda não recebeu nenhum contato oficial das autoridades sobre o caso — e a notícia da morte chegou de um jeito inesperado: por mensagem de uma funerária tentando vender um plano de assistência.
Como aconteceu o atropelamento
Andercy, de 51 anos, foi atropelada na manhã do dia 16 de julho, por volta das 5h, no Anel Rodoviário, na altura do bairro São Gabriel, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O atropelamento aconteceu na pista sentido Rio de Janeiro. Segundo informações preliminares da Polícia Militar, a vítima pode ter sido atingida por um carro — mas o veículo já não estava mais no local quando as equipes chegaram.
Como a família descobriu a morte
Quem contou a história à imprensa foi Jennefer Bruna, de 31 anos, filha de Andercy. Segundo ela, horas depois do acidente, recusou uma ligação de número desconhecido e, na sequência, recebeu uma mensagem mencionando a liberação de um corpo no IML. Achando que fosse engano, respondeu perguntando do que se tratava — foi então que perguntaram se ela era parente de Andercy.
Ao ligar de volta, Jennefer recebeu a notícia de que a mãe havia morrido e que o corpo precisava ser liberado. Para confirmar que não se tratava de erro, pediu que conferissem os dados pessoais da mãe — e a pessoa do outro lado da linha confirmou todas as informações que constavam na identidade de Andercy.
Abordagem da funerária gerou desconforto
Segundo o relato de Jennefer, o funcionário que fez o contato disse trabalhar em frente ao IML e se ofereceu para ajudar com os trâmites, orientando-a a comparecer ao local. Ao chegar lá, ela foi questionada se já havia sido avisada por essa mesma pessoa — e percebeu que nenhuma autoridade oficial havia entrado em contato antes.
"Nenhuma autoridade me ligou, nada. Nenhum policial, nem o IML, ninguém. Ninguém entrou em contato comigo, a não ser essa pessoa da funerária", relatou Jennefer à reportagem.
Ela também descreveu o momento como desrespeitoso, já que o funcionário insistiu em oferecer os serviços funerários enquanto ela ainda tentava processar a notícia. A reportagem original tentou contato com a funerária envolvida, mas não obteve retorno.
Como está a investigação do caso
As advogadas da família, Daniela Souza e Jéssica Brito, acompanham de perto o andamento das apurações. Segundo elas, em 21 de julho, ao visitarem a delegacia, foram informadas de que o inquérito ainda não havia sido formalmente aberto — mas que isso seria feito imediatamente.
Já em 27 de julho, ao retornarem à unidade, constataram que o laudo de necropsia estava concluído. Também souberam que havia sido solicitado o laudo pericial do local do atropelamento, além de diligências para buscar imagens de câmeras de segurança na região. Até a publicação da reportagem original, no entanto, as advogadas ainda aguardavam retorno sobre essas solicitações.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do atropelamento, e que diligências seguem em andamento — tanto para identificar o responsável quanto para localizar e ouvir testemunhas que possam ajudar a esclarecer o caso.
Família tenta identificar o motorista
Diante da falta de informações, Jennefer, a família e as advogadas gravaram um vídeo pedindo ajuda para identificar o responsável pelo atropelamento. Após a divulgação, duas pessoas entraram em contato relatando ter visto um homem que estaria com Andercy no momento do acidente.
Segundo o relato repassado a Jennefer, os dois estariam voltando do bairro Andiroba quando o homem atravessou a via primeiro — e, em seguida, Andercy foi atingida pelo veículo. A família ainda tenta localizar essa testemunha para confirmar a informação e conseguir mais detalhes sobre o carro envolvido.
Como ajudar a identificar o responsável
As advogadas da família fazem um apelo: quem tiver passado pela região do Anel Rodoviário, próximo ao bairro São Gabriel, no dia 16 de julho por volta das 5h, ou possuir câmeras de segurança que possam ter registrado o veículo, pode contribuir com a investigação.
As informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181, ou diretamente à Divisão Especializada em Prevenção e Investigação de Crimes de Trânsito (DEPICT), da Polícia Civil de Minas Gerais, localizada na Rua Sergipe, nº 57, bairro Boa Viagem, em Belo Horizonte.
Quem era Andercy
Segundo a filha, Andercy era uma mulher alegre, extrovertida e sempre disposta a ajudar as pessoas ao redor. Ela deixa outro filho, de 33 anos, e uma neta de 9 anos.