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Com quase 88% da apuração concluída, Cleitinho confirma matematicamente a vitória em Minas Gerais ainda no primeiro turno.
BELO HORIZONTE (MG) — O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito neste domingo (4) governador de Minas Gerais para os próximos quatro anos. Com 87,98% das urnas apuradas até as 20h25, o candidato somava 55,20% dos votos válidos, resultado suficiente para fechar a eleição ainda no primeiro turno.
Na segunda posição aparece o deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT), com 26,18% dos votos. A diferença entre os dois candidatos já é considerada matematicamente irreversível pelo restante da apuração, confirmando a vitória de Cleitinho sem necessidade de segundo turno.
Cleitinho liderava as pesquisas eleitorais desde antes do início oficial da campanha e manteve a vantagem construindo um discurso voltado ao interior do estado e às classes mais populares. Ao longo da disputa, o senador evitou se posicionar de forma explícita na polarização entre bolsonarismo e petismo, priorizando um tom de diálogo com os diferentes espectros políticos. Veja a cobertura completa das eleições 2026 em Minas Gerais.
Ao votar em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Cleitinho afirmou que pretende buscar parcerias público-privadas para melhorar as estradas do estado e disse estar disposto a negociar a dívida de Minas com a União, independentemente de quem vencer a disputa presidencial.
Mesmo tendo declarado apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência, Cleitinho não participou de atos de campanha ao lado do colega de Congresso nem adotou tom crítico mais duro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O próprio Partido Liberal preferiu lançar candidatura própria ao governo mineiro, com o ex-presidente da Fiemg Flávio Roscoe.
Desafios de uma gestão com dívida bilionária e folha de 700 mil servidores
A partir de janeiro, Cleitinho assume um estado com problemas estruturais significativos, entre eles uma dívida com a União na casa de R$ 180 bilhões, que vem pressionando fortemente o orçamento estadual nos últimos anos. Ao lado do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), o novo governador também terá de lidar com a folha de pagamento de quase 700 mil servidores públicos e as demandas por recomposição salarial represadas em diferentes categorias.
Na reta final da campanha, Cleitinho apostou em um discurso de voto útil para evitar o segundo turno, argumentando que, por não ter utilizado recursos do fundo eleitoral, prolongar a disputa representaria desperdício de dinheiro público — estratégia que, segundo a apuração parcial, surtiu o efeito esperado.
A trajetória de Cleitinho rumo ao Palácio Tiradentes também foi marcada por um momento de luto pessoal que quase o levou a desistir da candidatura. Em julho, o agora governador eleito perdeu o irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de uma leucemia que reapareceu após 18 anos. Abalado, ele chegou a gravar um vídeo anunciando a desistência da corrida ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, voltando atrás pouco tempo depois.
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