Senador Cleitinho Azevedo anuncia candidatura ao governo de Minas Gerais em coletiva, mesmo após o Republicanos ter dito pela manhã que ele não seria indicado.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirmou nesta quarta-feira (29), em coletiva de imprensa realizada à noite, que será candidato ao governo de Minas Gerais. A declaração contraria o que o próprio partido havia anunciado horas antes, quando informou que não lançaria a candidatura do senador ao Palácio Tiradentes.
Quem completa a chapa com Cleitinho
Segundo o senador, a chapa será completada por Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), na vaga de vice. O anúncio foi feito na Praça Santuário, em Divinópolis, cidade que é reduto eleitoral de Cleitinho.
Em suas palavras, "serei candidato a governador. A voz do povo é a voz de Deus, e preciso respeitar o povo mineiro", afirmou o senador durante o evento.
Cleitinho explica ausência na convenção do partido
O senador usou parte da coletiva para justificar por que não participou da Convenção Estadual do Republicanos, no último sábado (25) — ausência apontada pelo próprio partido como um dos motivos para negar sua indicação. Segundo ele, o motivo foi um luto recente na família: seu irmão enfrentava uma recaída de leucemia, chegou a ficar internado, inclusive em UTI, e faleceu há cerca de uma semana.
"Não iria lançar candidatura enquanto ele não estivesse bem. Há uma semana enterrei ele e tinha jornalista perguntando o que eu ia fazer. Não respeitaram meu luto", disse Cleitinho, relatando ainda ter avisado o partido sobre a situação antes da convenção.
Senador pede desculpas ao presidente do partido
Cleitinho afirmou que, caso sua situação pessoal tenha incomodado a legenda, pede desculpas, e revelou ter enviado mensagem ao presidente nacional do Republicanos no domingo (26) explicando o momento vivido pela família.
Ao justificar por que insiste na candidatura mesmo sem o apoio formal do partido, o senador citou a liderança nas pesquisas: "qual partido vai querer perder um candidato como eu que está liderando com 40%. Eu nem vou usar fundo eleitoral, nunca usei", declarou.
O que o Republicanos havia dito pela manhã
Mais cedo nesta quarta-feira, o Republicanos havia anunciado, em nota, que Cleitinho não seria candidato ao governo de Minas. O texto do partido afirmava que, apesar de o senador liderar as pesquisas de intenção de voto, ele não demonstrou a decisão firme necessária para viabilizar a candidatura, atrasando negociações com siglas aliadas.
Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, havia afirmado que Cleitinho "perdeu o timing" por não comparecer à convenção estadual do partido.
O que muda agora com a confirmação do senador
A fala de Cleitinho nesta noite reabre a indefinição que já se arrastava por meses e que envolvia diretamente outras legendas, como o PL — dividido entre lançar candidato próprio ou apoiar o senador em busca de um palanque forte para Flávio Bolsonaro (PL) em Minas — e o PSD do governador Mateus Simões, que monitorava de perto os movimentos em torno de Cleitinho por vê-lo como adversário forte na disputa.
Até a publicação desta matéria, o Republicanos ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a nova declaração do senador.
Curiosidade: Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo — o que torna qualquer definição sobre candidatura ao governo do estado um movimento observado de perto por partidos em todo o país.
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