Prefeitos da região do Médio Piracicaba e representantes da concessionária Nova 381 se reuniram nesta semana para discutir o futuro da BR-381. O encontro, promovido pela Amepi — Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba —, colocou na mesa temas que interessam diretamente a quem usa a rodovia diariamente: o andamento da duplicação, as melhorias emergenciais nos trevos de João Monlevade, as desapropriações e os pedágios.
Um dos temas mais aguardados pelos moradores de João Monlevade foi a situação dos acessos à cidade. A concessionária confirmou que estudos de microssimulação de tráfego identificaram a necessidade de melhorias emergenciais nos dois trevos do município. Cerca de R$ 3 milhões serão investidos nas intervenções, com início previsto para julho e conclusão esperada em até três meses. As obras visam reduzir gargalos e melhorar a fluidez do trânsito na região — mas o gerente de Operações da Nova 381, Diego Dutra, deixou claro que a solução definitiva virá apenas com a duplicação completa da rodovia, que prevê velocidade máxima de 80 km/h no perímetro urbano e implantação de vias marginais para separar o tráfego local do fluxo de longa distância.
O traçado previsto para a duplicação também foi detalhado durante a reunião. O projeto contempla pista dupla contínua entre Antônio Dias, Nova Era, Bela Vista de Minas, João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo, com cortes de maciços rochosos, correções geométricas e adequações em curvas historicamente associadas a acidentes graves.
Outro anúncio importante foi a informação de que a Nova 381 assumirá, em até 30 dias, a manutenção do trecho entre Caeté e Belo Horizonte. Embora a duplicação desse segmento permaneça sob responsabilidade do DNIT, a concessionária passará a executar serviços como tapa-buracos, capina, pintura de sinalização e melhorias gerais de conservação. Também foi anunciada a implantação de um ponto de apoio para caminhoneiros em Bom Jesus do Amparo, voltado ao descanso dos motoristas e ao suporte das operações logísticas.
A reunião também esclareceu dúvidas sobre as notificações enviadas a proprietários de imóveis às margens da rodovia. Segundo Diego Dutra, os comunicados têm caráter informativo e não representam ordem imediata de desocupação — atendendo apenas à legislação federal que estabelece faixas de recuo para construções próximas a rodovias. A regra geral prevê distância mínima de 15 metros a partir da faixa de domínio, podendo ser reduzida para cinco metros em municípios com legislação específica, conforme a Lei Federal nº 13.913/2019.
Sobre os pedágios, Diego Dutra explicou que os valores são definidos com base em estudos técnicos de volume de tráfego e investimentos previstos ao longo do contrato. Ele destacou que, se a cobrança fosse iniciada apenas após a conclusão de todas as obras, as tarifas poderiam chegar a cerca de R$ 80. O modelo adotado distribui os investimentos ao longo dos anos da concessão, viabilizando tarifas menores e mantendo o cronograma de obras.
Os estudos para a duplicação do trecho entre Belo Oriente e Governador Valadares também avançam. O material técnico será entregue em Brasília nos próximos dias — um passo considerado estratégico para o escoamento de mercadorias com destino ao Nordeste e para o desenvolvimento econômico do Médio Piracicaba.
Ao final da reunião, o presidente da Amepi, Augusto Henrique, e o presidente do Movimento Pró-Vidas da BR-381, Clésio Gonçalves, anunciaram a elaboração de uma carta-manifesto a ser encaminhada aos governos Federal e Estadual defendendo a continuidade e a conclusão das obras de duplicação.
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