Quase seis anos após o fechamento da antiga unidade prisional de Itabira, a cidade ainda convive com os impactos da ausência de uma estrutura penal local. Para o prefeito Marco Antônio Lage, a falta de um novo presídio não é problema técnico, mas sim uma questão política que envolve diretamente o Governo de Minas Gerais e a mineradora Vale.
Em entrevista recente, Marco Lage explicou que o antigo presídio, construído com recursos do município, foi desativado em 2019 por recomendações de risco ligadas à barragem da Vale em Itabiruçu. Desde então, Itabira ficou sem unidade prisional e sem previsão concreta de quando terá uma nova. Segundo o prefeito, a retomada desse projeto depende de uma ação conjunta entre o Estado e a mineradora, responsável pela região de risco que motivou o fechamento.
Consequências sentidas pela população
A ausência de uma penitenciária local afeta diretamente detentos, suas famílias e operadores do sistema de Justiça. Familiares enfrentam longas viagens para visitá-los, audiências são adiadas devido à sobrecarga e falta de comunicação entre unidades superlotadas, e policiais gastam grande parte do tempo em deslocamentos. Em 2023, um juiz chegou a afirmar que, nessas condições, o processo de ressocialização praticamente não existe em Itabira.
Terreno disponível e falta de avanços
Em 2025, o vereador Bernardo Rosa sugeriu um terreno seguro, pertencente à Vale e fora da área de risco, próximo à antiga localização, como espaço para um novo presídio com cerca de 400 vagas. No entanto, mesmo após meses de negociações, ainda não há um plano oficial ou cronograma. O prefeito destaca que a Prefeitura só apresentará formalmente as opções de terreno quando o governo estadual demonstrar compromisso concreto com o projeto.
Prefeito rejeitou proposta de grande presídio
Marco Lage também defendeu sua decisão de não apoiar a construção de um presídio de grande porte em Itabira no início de seu mandato. Ele considera esse tipo de estrutura inadequado para a demanda local, apontando que modelos de “mega-presídios” são ineficazes, caros e desumanos, além de atrair presos de alta periculosidade e causar impactos sociais negativos. Em vez disso, propõe um modelo de menor porte, semelhante à antiga unidade local, que favoreça projetos de ressocialização e reinserção social.
Caminho para uma solução
Líderes locais, como o presidente do Conselho da Comunidade na Execução Penal, afirmam que o principal obstáculo não é a falta de alternativas, mas sim a falta de priorização política. Para avançar, é essencial que Prefeitura, Câmara, Judiciário e outras instituições cobrem um compromisso claro do Estado e da Vale, defendendo um modelo de pequeno porte que atenda às necessidades regionais.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se