Uma estrutura paralela montada dentro da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi alvo de uma ofensiva da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (10). A segunda fase da Operação Anomalia resultou na prisão de um delegado e dois agentes civis, acusados de transformar o dever de investigar em um balcão de negócios com a maior facção criminosa do estado.
As ordens judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), miraram o coração de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, os policiais utilizavam o aparato estatal para intimar traficantes do Comando Vermelho (CV). O objetivo, no entanto, não era o combate ao crime, mas sim a cobrança de propina: quem pagava, ficava livre de operações e investigações.
Como funcionava a "taxa de proteção"
A investigação detalha que o grupo era liderado pelo delegado e por um dos agentes. Para evitar o contato direto com os criminosos e tentar manter as mãos limpas, eles utilizavam intermediários nas negociações. O dinheiro sujo era escoado através de empresas de fachada, registradas em nomes de familiares dos envolvidos.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi o abismo entre o padrão de vida dos suspeitos e seus salários como servidores públicos. Movimentações financeiras na casa dos milhões foram identificadas, incluindo ativos em criptomoedas.
Alvos e Medidas Judiciais
Entre os presos estão:
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Marcus Henrique de Oliveira Alves (Delegado)
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Franklin Jose de Oliveira Alves (Policial Civil)
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Leandro Moutinho de Deus (Policial Civil)
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Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como "Índio do Lixão" (Traficante que já estava no sistema prisional e teve novo mandado cumprido).
Além das prisões, o STF determinou o afastamento imediato dos cargos, o bloqueio de bens e valores em contas bancárias e a suspensão das atividades das empresas suspeitas de integrar a rede de lavagem de dinheiro.
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