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Dois irmãos suspeitos de matar o próprio pai durante uma briga em Belo Horizonte foram liberados pela polícia neste fim de semana, após o delegado decidir não ratificar a prisão em flagrante.
BELO HORIZONTE (MG)- Um caso de violência dentro de casa terminou em morte na madrugada deste sábado (8), no bairro Capitão Eduardo, véspera do Dia dos Pais. Dois irmãos, de 18 e 21 anos, foram levados à Delegacia de Plantão suspeitos de terem matado o próprio pai durante uma briga familiar, mas acabaram liberados horas depois.
Por que os irmãos foram liberados
A defesa dos jovens informou que o delegado responsável optou por não ratificar a prisão em flagrante. Pesaram nessa decisão o fato de os dois terem permanecido no local após o ocorrido, aguardado a chegada do socorro e da Polícia Militar, e colaborado com as autoridades ao prestar esclarecimentos. Nenhum dos dois tem passagem pela polícia, e ambos possuem trabalho e endereço fixo.
Isso não significa, porém, que o caso está encerrado. A liberação não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos irmãos — a investigação segue aberta, com perícia no local já concluída e depoimentos de testemunhas ainda a serem colhidos.
O que teria acontecido na casa da família
A vítima, Admilson Gomes da Silva Araújo, de 43 anos, morreu dentro da própria casa, em uma área de ocupação na Rua Eucalipto. Segundo o relato dos filhos à polícia, o pai chegou embriagado e passou a ameaçar e agredir a companheira, de 38 anos.
Os irmãos disseram que tentaram intervir para proteger a mãe. Durante a luta corporal, aplicaram no pai um golpe de imobilização conhecido como "mata-leão" e amarraram as mãos dele. Vizinhos que ouviram a confusão acionaram a polícia por volta das 4h19.
Quando a Polícia Militar chegou, Admilson já não apresentava sinais vitais, e a morte foi confirmada por uma equipe do SAMU. Os jovens relataram às autoridades que não tinham intenção de matar o pai e que episódios de embriaguez seguidos de agressão à mãe eram frequentes na rotina da família.
O que pode acontecer daqui para frente
A possibilidade de legítima defesa por parte de um dos irmãos, que teria imobilizado o pai no momento da briga, também foi levada em conta pela autoridade policial ao decidir não ratificar o flagrante — mas essa hipótese ainda precisa ser confirmada ao longo do inquérito.
A família vivia em uma casa de cerca de três cômodos, em condições precárias. Além do casal e dos dois filhos mais velhos, uma menina de 9 anos também morava no imóvel.
A advogada responsável pela defesa dos irmãos, Lorena Chagas, afirmou em nota que os jovens seguem à disposição das autoridades e destacou que o caso precisa ser analisado considerando o histórico de conflitos e violência doméstica relatado pela família.
Casos de violência dentro de casa continuam entre as ocorrências mais registradas em Minas Gerais, e o Só Notícias Online segue acompanhando os desdobramentos desta e de outras investigações na região.
Vítimas de violência doméstica podem buscar ajuda pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelo 190, em caso de emergência.