Sessão na Câmara Municipal de Itabira é marcada por relato emocionado sobre os efeitos da compulsão por apostas online.
Um depoimento pessoal tomou conta de uma sessão de comissões na Câmara Municipal de Itabira nesta terça-feira (21). Durante a análise do Projeto de Lei nº 67/2026, que propõe uma campanha permanente de conscientização sobre os riscos das apostas online, a moradora Jéssica Ramos, de 34 anos, decidiu contar sua própria experiência com o jogo diante do plenário.
O que ela chama hoje de ludopatia — a compulsão clínica por jogos de azar — trouxe consigo dívidas, perda de emprego, afastamento da família e um período de intensa fragilidade emocional, antes de um processo de recuperação iniciado há sete meses.
Origem do vício e agravamento
Segundo Jéssica, tudo começou no fim de 2022, a partir de anúncios de apostas que via nas redes sociais. O que era pontual foi virando, aos poucos, uma forma de lidar com dores emocionais antigas.
A gravidez, em 2023, marcou uma piora do quadro: na tentativa de dar mais conforto ao filho, ela passou a canalizar as angústias da gestação para as apostas, perdendo o controle das próprias finanças — incluindo um saque de R$ 8 mil que se esgotou em apostas no mesmo dia.
Você sabia? A Organização Mundial da Saúde reconhece a ludopatia como transtorno mental, catalogado na CID-11, tratável por meio de acompanhamento psicológico especializado, de forma semelhante a outras condições ligadas à compulsão.
O preço no trabalho e na vida pessoal
O vício também custou o emprego de Jéssica: em um momento de desespero para cobrir dívidas, ela alterou um valor na própria folha de pagamento, esperando devolver a quantia depois. A irregularidade foi descoberta pela empresa, resultando em demissão por justa causa.
Dias depois de perder o emprego, a caminho de uma consulta psicológica, ela viveu o momento mais grave de toda a experiência — foi o pensamento no filho que a fez seguir adiante.
Sete meses depois, com o tratamento em andamento, Jéssica afirma não sentir mais vontade de apostar, embora o impacto financeiro e pessoal do período de vício ainda esteja presente em sua rotina.
Um pedido por mais responsabilidade
Jéssica relatou o julgamento que enfrentou de pessoas ao redor após tornar sua situação pública, defendendo que a compulsão por jogo seja tratada como questão de saúde mental, não de caráter.
Ao encerrar a fala, defendeu a aprovação do projeto em discussão e cobrou mais responsabilidade de influenciadores digitais que divulgam plataformas de apostas nas redes, recebendo aplausos do plenário.
Precisa de ajuda? Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades relacionadas a jogos de azar ou apostas, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas.
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