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Dados de boletins de urna das seções instaladas em presídios e unidades de internação mostram a divisão dos votos para presidente no primeiro turno; apenas presos sem condenação definitiva podem votar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 72,6% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas em unidades prisionais e socioeducativas no primeiro turno das eleições de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno com o petista, recebeu 23,3% nessas mesmas seções.
Os números constam de um levantamento da Revista Oeste feito com base nos boletins de urna publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os números do levantamento
Foram analisadas 244 seções, que somaram 11.186 votos válidos.
Lula recebeu 8.118 votos e Flávio, 2.605. Os demais candidatos à Presidência reuniram 463 votos, o que corresponde a 4,1% do total.
Confira o resultado por região:
- Nordeste: Lula 77,2% | Flávio 19,8%
- Sudeste: Lula 73,8% | Flávio 21,9%
- Sul: Lula 66,9% | Flávio 28,8%
- Norte: Lula 65,3% | Flávio 31,1%
- Centro-Oeste: Lula 56,3% | Flávio 34,6%
O Centro-Oeste foi a região com a menor distância entre os dois candidatos nesse recorte.
Unidades com mais votos para cada candidato
A maior votação absoluta de Lula ocorreu no Conjunto Penal de Juazeiro (BA), com 259 votos, o equivalente a 86,6% dos válidos da unidade.
Em seguida aparecem o Centro de Detenção Provisória de Caraguatatuba (SP), com 206 votos, e a Cadeia Pública de Salvador (BA), com 192.
Também se destacaram a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu (SP), com 179 votos para o petista, e a unidade de triagem de Pedrinhas, em São Luís (MA), com 150.
Flávio teve seu melhor desempenho absoluto na Sumese, em Maceió (AL), com 79 votos. O candidato do PL também somou 73 votos no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí (SC) e 70 no Complexo da Papuda, em Brasília.
Quem pode votar dentro de um presídio
Nem todo detento tem direito ao voto. A Constituição Federal suspende os direitos políticos de quem tem condenação criminal transitada em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso, enquanto durarem os efeitos da pena.
Por isso, as seções em unidades prisionais atendem os presos provisórios, que ainda aguardam julgamento definitivo, e os adolescentes em internação que estejam aptos a votar.
Segundo as regras do TSE, cada seção desse tipo precisa ter ao menos 20 eleitores aptos. Servidores e agentes de segurança que trabalham no local podem optar por votar ali e entram nessa conta.
Isso significa que os votos registrados nessas urnas não vêm apenas de detentos, já que funcionários das unidades também podem compor o eleitorado da seção.
Peso no resultado nacional
Os pouco mais de 11 mil votos válidos analisados representam uma fração muito pequena do eleitorado brasileiro, que soma mais de 150 milhões de pessoas aptas a votar.
Na prática, o recorte serve para mostrar o comportamento de um grupo específico, sem impacto significativo sobre o placar geral da disputa presidencial.
Os boletins de urna de cada seção do país podem ser consultados e baixados por qualquer cidadão no portal de resultados do TSE.
Lula e Flávio Bolsonaro voltam a se enfrentar no segundo turno, quando os presos provisórios aptos poderão votar novamente nas seções instaladas nas unidades.
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Fonte: Revista Oeste, com dados de boletins de urna do TSE