Um acidente com ônibus que saiu de Belo Horizonte rumo a Copacabana, no Rio de Janeiro, deixou 10 pessoas mortas na madrugada deste domingo (16), na BR-040, em Petrópolis. O veículo transportava 47 passageiros, além de dois motoristas.
O que você precisa saber: segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus operava de forma clandestina, sem habilitação para transporte interestadual de passageiros. Nenhuma das empresas ligadas ao veículo — Dinna Ellles Turismo, PIT Tur Transportes e Estrela Guia Turismo — está autorizada pelo órgão regulador.
A Polícia Civil confirmou que a investigação sobre as causas do acidente segue em andamento, enquanto o Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC) de Petrópolis já identificou seis das dez vítimas fatais.
Quatro vítimas eram do mesmo bairro em BH
Entre as vítimas já identificadas, ao menos quatro moravam na Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte: Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos; Lavinia Eduarda Souza Dias, de apenas 7 anos; Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos; e Priscilla de Souza Braz, também de 33 anos.
Completam a lista de identificadas Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, e Keyla Perucci da Silva, de 35 anos. Nove corpos foram encaminhados ao PRPTC de Petrópolis, enquanto a décima vítima, que chegou a ser socorrida com vida mas não resistiu, teve o corpo encaminhado ao PRPTC de Nova Iguaçu.
Como funciona o transporte clandestino de passageiros
Segundo a ANTT, o veículo envolvido no acidente, de placa AKY-3454, estava registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes. O coletivo ainda trazia adesivo de uma terceira empresa, a Samara, também inapta perante o órgão regulador.
Esse tipo de sobreposição de nomes — empresa proprietária, empresa compradora e empresa responsável pela viagem — é característico de esquemas de transporte irregular, nos quais veículos circulam sem vínculo formal e verificável com nenhuma operadora autorizada, dificultando a fiscalização preventiva por parte dos órgãos de trânsito.
Viagens clandestinas costumam escapar de exigências obrigatórias impostas a empresas regularizadas, como manutenção periódica do veículo, escala de descanso para motoristas e seguro de responsabilidade civil para passageiros — fatores que, em conjunto, elevam o risco de acidentes graves como o de Petrópolis.
Luto toma conta da Vila Acaba Mundo
A empreendedora Patrícia Roberta, moradora da região, descreveu à Itatiaia o clima de comoção após a confirmação das mortes. Segundo ela, conhecia as vítimas desde criança e sentiu a perda como se fosse de familiares próprios, definindo o momento como "devastador" para toda a comunidade da vila.
Relatos como esse são comuns em tragédias que atingem bairros de forte vínculo comunitário, onde moradores costumam se conhecer há gerações e enxergam vizinhos quase como parte da própria família — o que amplia o impacto emocional coletivo diante de perdas súbitas como essa.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil do Rio de Janeiro mantém a apuração sobre as causas do tombamento, enquanto a ANTT já classificou formalmente a operação como transporte clandestino de passageiros. Ainda não há confirmação sobre eventual responsabilização criminal das empresas envolvidas na organização da viagem.
A Só Notícias Online vai acompanhar o caso e atualizar esta matéria conforme novas vítimas sejam identificadas ou novas informações sobre a investigação sejam divulgadas pelas autoridades competentes.