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O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida de R$ 17,3 bilhões, ao mesmo tempo em que promove leilões virtuais de eletrodomésticos com descontos de até 58%. A empresa afirma que as vendas são rotineiras e não têm ligação com o processo.
O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial para reestruturar uma dívida total de R$ 17,3 bilhões, após registrar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e fechar 298 lojas em todo o país.
Coincidindo com esse momento de crise, a varejista promove leilões virtuais de eletrodomésticos e eletrônicos. A empresa esclarece, no entanto, que as vendas são rotineiras e não têm ligação direta com o processo judicial em curso.
O que é vendido e de onde vêm os produtos
Os itens leiloados vêm do Departamento de Assistência Técnica (DAT) da empresa e são fruto de devoluções de clientes. Os lotes são vendidos no estado em que se encontram, sem garantia de funcionamento e sem direito a troca, podendo apresentar avarias, sujeira e até peças faltantes. A nota fiscal, nesses casos, é emitida como sucata.
O evento é 100% eletrônico, realizado pela plataforma Kwara, e reúne produtos como geladeiras, fogões, lavadoras de roupa, smartphones, fritadeiras elétricas e notebooks, com descontos que chegam a 58% do valor de mercado.
Além do valor do lance vencedor, incidem obrigatoriamente 5% de comissão do leiloeiro e 15% de despesas administrativas. Frete e retirada ficam por conta do comprador, que deve agendar a retirada no galpão da empresa em Jundiaí (SP) — o que pode inviabilizar a compra para consumidores de fora de São Paulo, dependendo do custo do frete.
Como a crise da Casas Bahia chegou a esse ponto
A recuperação judicial atual substitui o modelo de recuperação extrajudicial homologado em 2024, que já vinha administrando R$ 4,1 bilhões em débitos da empresa.
Segundo a administração da rede, o agravamento da crise financeira foi atribuído a fatores macroeconômicos: juros elevados de forma crônica, que encarecem o crédito; restrição generalizada de crédito no mercado de varejo; e queda expressiva no consumo de bens duráveis por parte das famílias brasileiras.
Como parte da reestruturação operacional que antecedeu o pedido judicial, a rede já havia demitido 1.900 funcionários e reduzido em cerca de 30% o número de lojas físicas no país.
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