O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na última quarta-feira (1º/07) sanções contra dois brasileiros e quatro empresas — três no Brasil e uma em Portugal — por suposto vínculo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O caso tem um detalhe que chama atenção no mundo do futebol: o principal alvo das sanções já havia sido investigado por lavagem de dinheiro ligada ao Corinthians e à casa de apostas VaideBet.
Quem são os sancionados
Victor Henrique de Oliveira Shimada é apontado pelo Departamento do Tesouro como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Segundo as autoridades americanas, ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos, usando criptomoedas para enviar o dinheiro de volta ao Brasil em nome da facção.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada, é descrita pelos EUA como associada próxima e parente de Victor. Ela teria trabalhado como sua secretária e intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais que apoiaram Shimada e sua rede nas operações de lavagem.
A conexão com o Corinthians
Shimada já havia sido preso em janeiro de 2025, no Brasil, porque a Victory Trading foi usada para lavar dinheiro desviado do Corinthians em um esquema de fraude publicitária. A investigação revelou que a Victory transferiu R$ 200 mil para a conta bancária da agência de jogadores UJ Football Talent em março de 2024 — valor originário de transferências milionárias que a Victory havia recebido da empresa Wave. A Wave realizou mais três transferências para a UJ Football Talent, totalizando cerca de R$ 870 mil desviados.
Embora o comunicado do Tesouro americano não cite nominalmente o Corinthians, a empresa de Shimada aparece nas investigações do caso "Vai de Bet", que apura um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio do clube com a casa de apostas.
O que acontece com quem é sancionado pelos EUA
Com as sanções, todos os bens e interesses das pessoas e empresas atingidas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam imediatamente bloqueados. Além disso, cidadãos, empresas e instituições financeiras dos EUA estão proibidos de realizar qualquer tipo de transação com os alvos das medidas. Na prática, isso pode cortar o acesso ao sistema financeiro internacional para os sancionados.
O Brasil reagiu com ressalvas
Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que o combate ao crime organizado não deve servir como justificativa para medidas unilaterais que desconsiderem a cooperação jurídica internacional e os tratados internacionais em vigor. O governo brasileiro destacou que possui instrumentos jurídicos e capacidade institucional para enfrentar o crime organizado.
Com informações da Rádio Itatiaia e CNN Brasil.
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