Uma ligação anônima foi o ponto de partida. Alguém do bairro Barreiro, em Itabira, decidiu denunciar o que via de perto: um homem de 49 anos que andava armado, que já havia atirado em outra ocasião e que usava a arma para intimidar quem cruzasse seu caminho. Na tarde da última quinta-feira, 22 de maio, a Polícia Militar foi até lá — e encontrou exatamente o que a denúncia apontava.
Por volta das 18h, os militares chegaram à Travessa Dois e abordaram o suspeito. De início, ele tentou minimizar a situação: disse que tinha apenas uma carabina de pressão, nada mais. Mas a versão não durou muito. Confrontado pelos policiais, o homem acabou admitindo que havia uma espingarda calibre 28 escondida nas proximidades.
O esconderijo escolhido revela a premeditação: a arma não estava na casa do suspeito, mas no telhado de um galinheiro em outro imóvel do mesmo bairro — um detalhe que dificulta a associação direta com o morador e que é frequentemente usado por quem quer negar a posse em caso de abordagem policial.
As equipes localizaram a espingarda e, junto com ela, um total de 29 cartuchos calibre 28 — sendo 27 intactos, um percutido no cartucho encontrado separadamente e outro já utilizado. A carabina de pressão calibre 5.5 mencionada pelo suspeito também foi apreendida.
Diante dos fatos, o homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, crime previsto no Estatuto do Desarmamento, e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Itabira para os procedimentos legais.
O caso reforça o papel fundamental das denúncias anônimas no combate à violência. Em Itabira, como em toda Minas Gerais, a Polícia Militar mantém canais abertos para recebimento de informações: o 190, para emergências, e o 181, o Disque-Denúncia estadual, que garante total anonimato ao informante.
Armas escondidas em quintais, telhados e terrenos baldios são um problema recorrente nas cidades da região. O porte ilegal, mesmo de armas de uso permitido como a espingarda calibre 28, é crime com pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa. Quando a arma é usada para ameaças, como no caso relatado pelos denunciantes, a situação pode configurar ainda outros crimes, como o de ameaça ou perturbação da ordem pública.