Uma cena rara de tensão marcou a tarde desta quarta-feira (8) no bairro São Pedro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte: a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, voltou pela primeira vez ao apartamento onde matou o casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, para participar da reconstituição do crime conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais. Ao chegar, ela foi hostilizada por moradores que aguardavam no local.
Como o crime aconteceu
Paola estava no primeiro dia de trabalho na casa do casal, para onde havia sido indicada por um primo de Maria Clotilde. Segundo as investigações, durante o horário do almoço ela bateu comprimidos de clonazepam no liquidificador e misturou a substância a um suco servido às vítimas. Enquanto Cláudio dormia no quarto e Maria Clotilde na sala, ela teria golpeado o casal com uma faca, em um ataque que somou pelo menos 50 facadas. Depois, tomou banho, trocou de roupa e foi negociar os itens roubados no Centro de BH — entre eles joias, relógios, celulares e cerca de R$ 18 mil em dinheiro.
A prisão aconteceu em Itabira
Os corpos do casal foram encontrados um dia depois do crime pelo próprio filho das vítimas. Paola foi localizada e presa três dias mais tarde — não em Belo Horizonte, mas em Itabira, na região central de Minas. Ela confessou o crime, e a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, citando a gravidade e a crueldade do caso.
Nova prova encontrada às vésperas da reconstituição
Na noite de segunda-feira (6), peritos da Polícia Civil voltaram ao apartamento e aplicaram luminol — reagente que revela vestígios de sangue mesmo após tentativas de limpeza — em diversas facas da cozinha até identificar a arma usada no crime. No dia seguinte, dois compradores dos objetos roubados compareceram, acompanhados de advogados, à Delegacia Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) para devolver parte do material.
Por que a reconstituição foi pedida
O delegado Gustavo Barletta, responsável pela investigação na Depatri, explicou que ainda restam dúvidas sobre a sequência exata dos fatos dentro do apartamento. Segundo ele, os fatos ainda estão nebulosos quanto à ordem dos ataques e à reação das vítimas no momento do crime. A expectativa da polícia é que o relato de Paola durante a reprodução simulada ajude a esclarecer esses pontos.
Entenda o caso
O quê: duplo latrocínio de um casal de idosos
Vítimas: Cláudio Atala Inácio (75) e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio (76)
Suspeita: Paola Stefany Neto Cirino, 30 anos, diarista contratada havia poucas horas
Onde: apartamento no bairro São Pedro, Centro-Sul de Belo Horizonte
Quando: crime em 29 de junho; prisão da suspeita em Itabira três dias depois
Situação atual: presa preventivamente, confessou o crime, participou da reconstituição nesta quarta (8)
O que pode acontecer a seguir
Com a faca já localizada e a reconstituição concluída, é provável que a investigação avance agora para a fase final do inquérito, reunindo laudos periciais, depoimentos e os objetos recuperados como base para o indiciamento formal de Paola. A polícia também segue apurando outras diligências para tentar descartar de forma definitiva a participação de terceiros no crime. A defesa da suspeita, representada pelo advogado Bruno Corrêa, afirma que vai acompanhar todas as etapas do processo e pede que qualquer conclusão sobre responsabilidade aguarde o fim da instrução processual.
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