Duas pessoas morreram nesta segunda-feira (6) após o capotamento de um caminhão no encontro das rodovias BR-356 e MG-129, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Até o momento, as vítimas seguem sem identificação oficial.
O que se sabe até agora
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para atender a ocorrência e constataram, ao chegar ao local, que as duas vítimas já haviam morrido. A perícia da Polícia Civil e o rabecão foram acionados para os procedimentos de praxe e a remoção dos corpos. A Polícia Militar Rodoviária assumiu o controle do trânsito no trecho, que passou a funcionar em sistema de siga e pare, com apoio da Guarda Civil Municipal de Mariana.
Um trecho com histórico de acidentes graves
A MG-129 nasce nas proximidades de Itabira e segue até Conselheiro Lafaiete, cortando municípios da Região Central mineira. No trecho entre Mariana e Ouro Preto, a via concentra grande volume de caminhões e ônibus ligados à atividade de mineração, o que já produziu outras tragédias recentes. Em dezembro de 2024, uma colisão entre um ônibus e um caminhão-baú na mesma rodovia, próximo ao distrito de Antônio Pereira, deixou uma vítima fatal e outras 26 pessoas feridas.
A recorrência de acidentes graves no trecho levou prefeituras da região, reunidas na Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil, a discutir um projeto batizado de "Rodovia do Minério", pensado para desviar o tráfego pesado de caminhões de minério das rodovias BR-356 e BR-040 e reduzir o número de ocorrências fatais na região.
O problema não é isolado à MG-129. Rodovias que cortam a região mineradora de Minas Gerais concentram boa parte dos acidentes fatais do estado envolvendo veículos de carga pesada, o que motivou o próprio Ministério Público de Minas Gerais a acompanhar de perto as discussões sobre desvio de tráfego de caminhões nessas vias.
Como funciona a identificação de vítimas sem documentos
Quando um acidente deixa vítimas sem identificação, o procedimento padrão segue protocolo estabelecido pela Polícia Civil e pelo Instituto Médico Legal. Os corpos são encaminhados ao IML para exame necroscópico, e a identificação passa por confronto de impressões digitais no banco de dados da Polícia Civil, checagem de eventual boletim de ocorrência de pessoa desaparecida e, quando necessário, exame de DNA cruzado com familiares que procuram a unidade. Só depois da confirmação oficial os corpos podem ser liberados para os responsáveis legais.
Enquanto a identificação não é concluída, qualquer pessoa que acredite ter um familiar desaparecido na região do acidente pode procurar a Polícia Civil de Mariana ou o IML mais próximo para prestar informações e auxiliar no reconhecimento.
O que pode acontecer a seguir
A Polícia Civil deve abrir inquérito para apurar as causas do capotamento, ouvindo testemunhas e analisando o estado da carga e do veículo no momento do acidente. Casos como esse costumam envolver perícia técnica sobre freios, pneus e possível excesso de velocidade, além de checagem se o motorista possuía habilitação compatível com o veículo. Dependendo do resultado da perícia, o inquérito pode apontar responsabilidade da transportadora ou de terceiros envolvidos na via.
Entenda o caso
O acidente desta segunda-feira reforça um padrão já registrado no mesmo trecho da MG-129/BR-356: alto volume de veículos pesados ligados à mineração, pista compartilhada com tráfego local e histórico recente de acidentes fatais na região entre Mariana e Ouro Preto. A rodovia é apontada por moradores e pelo poder público local como um dos pontos mais perigosos da Região Central de Minas Gerais, e projetos para desviar o tráfego de caminhões ainda estão em fase de discussão entre prefeituras e mineradoras.
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