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Corpo foi encontrado dentro da cela da Penitenciária José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves, e dois detentos teriam confessado o crime à equipe de segurança.
RIBEIRÃO DAS NEVES (MG) — Um detento foi encontrado morto neste sábado (3) dentro de uma cela da Penitenciária José Maria Alckmin, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A vítima foi identificada como Paulo Henrique Vertejo Moraes, de 44 anos, que cumpria pena na unidade.
Segundo as informações repassadas pela unidade prisional, o detento foi encontrado enforcado dentro da cela, o que inicialmente levantou a hipótese de suicídio entre os policiais penais que atenderam a ocorrência. A cena chegou a sugerir, num primeiro momento, um caso de autoextermínio.
Posteriormente, no entanto, dois outros detentos — de 34 e 22 anos — teriam assumido a autoria do crime perante a equipe de segurança da penitenciária. Até o momento, nenhum dos dois explicou aos policiais penais qual teria sido a motivação para o homicídio. Veja outros casos recentes de violência em unidades prisionais de Minas Gerais.
A perícia ainda precisa confirmar oficialmente a causa da morte e o laudo que vai determinar se o óbito realmente ocorreu por ação dos dois detentos apontados, dado que a cena inicial foi montada para sugerir um enforcamento voluntário. O corpo de Paulo Henrique foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte para a realização da necropsia.
Por que mortes em presídios são frequentemente encenadas como suicídio
Casos em que um homicídio dentro do sistema prisional é inicialmente registrado como enforcamento — e só depois esclarecido como crime — não são incomuns na rotina de unidades prisionais superlotadas. Especialistas em segurança penitenciária apontam que a simulação de suicídio é uma estratégia recorrente usada por autores de homicídios dentro de celas coletivas, justamente para dificultar a identificação da autoria em um primeiro momento.
A apuração desses casos depende fortemente da perícia técnica, que analisa elementos como a posição do corpo, o tipo de lesão e o material usado, para diferenciar um enforcamento autoprovocado de uma simulação após agressão. A confissão espontânea dos dois detentos, como ocorreu neste caso, tende a acelerar o processo, mas não substitui a confirmação pericial da causa da morte.
Internamente, a administração penitenciária é responsável por apurar as circunstâncias da morte e pode instaurar procedimento disciplinar próprio contra os detentos apontados como autores, de forma paralela ao inquérito conduzido pela Polícia Civil, que normalmente assume a investigação criminal de óbitos ocorridos dentro de unidades prisionais.
Até a publicação desta matéria, a Secretaria de Administração Prisional (Sejusp-MG) não havia se manifestado oficialmente sobre o caso. A reportagem não soube informar se os dois detentos apontados como autores já responderam a outros processos por violência dentro do sistema prisional.
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