Eleições MG: candidatos ao governo declararam ao TSE patrimônios imobiliários que variam de apartamentos de luxo a casas ainda em financiamento.
A transparência exigida pela Justiça Eleitoral nas eleições de 2026 permite aos eleitores conhecer o patrimônio imobiliário detalhado de quem quer governar Minas Gerais. De acordo com dados disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos apresentam diferenças significativas na composição de seus bens.
As declarações incluem desde imóveis de maior valor até frações de propriedades recebidas por herança e imóveis adquiridos por meio de financiamento. Uma regra importante para entender os dados, determinada pela Receita Federal, é que os bens devem ser registrados pelo valor histórico de aquisição ou de partilha na herança.
Por isso, lotes e casas adquiridos há muitos anos aparecem nas declarações com cifras substancialmente menores do que o praticado pelo mercado imobiliário atual.
Imóveis de luxo e heranças
Alexandre Kalil (PDT) é o candidato com a lista mais extensa. Dos mais de R$ 5,9 milhões declarados em bens totais, as propriedades representam cerca de R$ 3,1 milhões, distribuídos em 27 itens imobiliários — a maioria frações de lojas, lotes e casas em Belo Horizonte e Cabo Frio (RJ). O item de maior valor é um apartamento no Edifício Parque Belvedere, registrado por R$ 1,85 milhão.
Flávio Roscoe (PL) declarou R$ 2,25 milhões em bens imóveis, divididos entre um apartamento em Nova Lima (R$ 2,1 milhões) e duas salas comerciais em Belo Horizonte (R$ 150 mil).
Mateus Simões (PSD) concentra pouco mais de R$ 2 milhões em três propriedades na capital mineira, com destaque para a fração de 50% de uma casa de alto padrão na Alameda Merano, declarada por R$ 1,78 milhão.
Apartamentos, casas e lotes
Gabriel Azevedo (MDB) declarou R$ 1,32 milhão em propriedades, todas apartamentos em Belo Horizonte — um deles adquirido com financiamento.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) tem o patrimônio imobiliário mais enxuto entre os principais candidatos: uma casa de R$ 300 mil no bairro Jardim Betânia, em Divinópolis, que segundo o TSE ainda está em processo de financiamento.
Patrus Ananias (PT) declarou R$ 161.457,61 em cinco propriedades, incluindo frações de casa em Bocaiúva, apartamento e garagem em Belo Horizonte, e um lote em Brumadinho.
Candidatos sem imóveis declarados
Os candidatos Indira Xavier (UP), Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) declararam oficialmente à Justiça Eleitoral não possuir casas, apartamentos ou terrenos registrados em seus nomes.
Por que o valor declarado difere do valor de mercado
A regra da Receita Federal que obriga o registro pelo valor histórico de aquisição costuma gerar distorções entre o patrimônio declarado e o valor real de mercado dos imóveis. Um apartamento comprado há duas décadas, por exemplo, pode aparecer na declaração eleitoral por uma fração do que valeria hoje, mesmo em bairros valorizados de Belo Horizonte.
Essa diferença é comum em declarações de patrimônio de candidatos em todo o país e não representa irregularidade — trata-se apenas do critério contábil aplicado uniformemente pela legislação tributária brasileira, o mesmo usado nas declarações de Imposto de Renda.
Fonte: Rádio Itatiaia