Era madrugada de sábado (06/06) quando duas mulheres, voltando de uma festa junina em Nova Lima, perceberam que estavam sendo seguidas. Um homem insistia em perguntar se elas eram solteiras, queria acompanhá-las até em casa. Elas disseram não, que iam sozinhas. Ele continuou atrás. A história terminou em morte — e com uma criança de 10 anos vendo tudo de perto, sentada ao lado do próprio pai, que era o agressor.
Um gesto que custou a vida de quem ajudou
A perseguição seguiu até a Avenida Rio Solimões, no bairro Nossa Senhora de Fátima. Foi lá que um homem de 57 anos, que estava por ali, decidiu se meter na situação. Pediu, simplesmente, que o assediador deixasse as mulheres em paz. Recebeu um soco no rosto como resposta. Caiu, bateu a cabeça no chão. Não resistiu.
Parte da cena ficou registrada em câmeras de segurança da região — imagem e áudio. Dá para ouvir a discussão, o desespero das mulheres, e também da criança que assistia a tudo.
Fugiu, se escondeu, foi pego
O suspeito, de 41 anos, saiu correndo do local levando o filho. Quando a Polícia Militar chegou à casa dele, os parentes disseram que ele tinha ido lá, deixado o menino e saído de novo. Não era verdade. Minutos depois, um vizinho avisou: ele continuava ali, escondido no andar de cima.
Os policiais voltaram. A porta do cômodo estava trancada e precisou ser arrombada. Dentro, o homem se entregou sem resistir — confirmou que tinha se envolvido na briga. Quando soube que a vítima havia morrido, recebeu voz de prisão em flagrante. Hoje, a Polícia Civil investiga o caso como homicídio.
Quem era a vítima
Pai de três filhos, sem histórico de briga com vizinhos — foi assim que a ex-esposa do homem descreveu o ex-marido à imprensa, ainda sob o impacto da notícia. Para ela, ele só fez o que considerava certo naquela madrugada.
A criança que viu tudo
Tem um detalhe nesse caso que pesa tanto quanto o resto: uma criança de 10 anos presenciou, de muito perto, uma sequência de violência que terminou com a morte de um homem. Esse tipo de exposição deixa marcas que vão muito além daquela madrugada, e é justamente para isso que existe a rede de proteção prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Quem conhece ou suspeita de crianças e adolescentes expostos a situações de violência — sofrida ou apenas testemunhada — pode recorrer ao Disque 100, canal nacional que recebe denúncias de violações de direitos humanos envolvendo menores.
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