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Vídeo que circula nas redes sociais mostra o religioso abordando o homem na chegada dos fiéis ao Santuário Nossa Senhora Aparecida; Arquidiocese de BH diz que a Igreja não indica candidatos.
CONTAGEM (MG) – Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o padre Jorge Wydrych questionando um homem que distribuía panfletos políticos a fiéis no Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O episódio aconteceu nesta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, quando os fiéis chegavam para as celebrações.
O que dizia o material
O panfleto é assinado por um grupo chamado "Cristãos Católicos na Política" e menciona Nossa Senhora Aparecida.
O texto aponta supostos "riscos" de uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência. Um dos trechos afirma que, "mesmo que ele negue, a maioria de seus apoiadores está ligada a grupos radicais".
Segundo a Itatiaia, que divulgou o caso, o material continha informações falsas. O homem que fazia a distribuição foi descrito pela emissora como um suposto eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até a publicação desta reportagem, o grupo responsável pelo panfleto, as campanhas e os partidos não haviam se manifestado sobre o episódio.
Boato sobre título da Padroeira
Nas últimas semanas da campanha, passou a circular a informação de que setores evangélicos ligados a Flávio Bolsonaro trabalhariam para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O senador nega a afirmação. Não há registro de qualquer proposta oficial nesse sentido.
O que disse o padre
Em entrevista ao perfil Plantão de Notícias RMBH 031, o padre afirmou que Nossa Senhora Aparecida "fica muito triste" quando sua imagem é usada com fins políticos.
Ele defendeu que as preferências de cada pessoa sejam respeitadas, mas sem envolver a imagem da santa na disputa eleitoral.
"O espaço sagrado merece respeito de todos os lados", disse. "Não vamos permitir que desavenças políticas estraguem a nossa festa."
Posição da Arquidiocese
A Arquidiocese de Belo Horizonte reforçou que a Igreja Católica é apartidária, não indica candidatos e respeita a liberdade de cada cidadão na escolha do voto.
Em setembro, a Arquidiocese divulgou uma cartilha eleitoral com orientações às paróquias. O documento afirma que espaços religiosos não devem ser usados para lançar candidaturas nem para expressar a opinião política pessoal de padres e ministros.
Veja os principais pontos do caso:
- Local: Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Contagem
- Data: segunda-feira (12), Dia da Padroeira
- Material: panfleto assinado pelo grupo "Cristãos Católicos na Política"
- Conteúdo: críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro
- Posição da Igreja: apartidária, sem indicação de candidatos
O que diz a lei eleitoral
A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) proíbe propaganda eleitoral de qualquer natureza em bens de uso comum, categoria que inclui os templos religiosos.
Fora desses locais, a distribuição de folhetos é permitida, desde que o material informe o CNPJ ou CPF do responsável e a quantidade impressa.
As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também proíbem a divulgação de conteúdos sabidamente falsos ou descontextualizados que possam prejudicar candidatos.
Irregularidades na propaganda podem ser denunciadas pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, ou ao Ministério Público Eleitoral.
O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcado para 25 de outubro.
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Fonte: Itatiaia, com informações da Arquidiocese de Belo Horizonte