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A mineração permanece como um dos principais motores econômicos da região, e um novo ciclo produtivo da Vale em Itabira deve sustentar essa atividade pelos próximos 16 anos. A empresa mantém em curso operações no Complexo Minerador de Itabira com projeção de duração até 2041, em um movimento que reverbera por toda a microrregião, incluindo municípios do entorno e do Vale do Aço.
A atividade minerária em Itabira teve início em 1942 e, desde então, atravessou diferentes fases — da extração da hematita à concentração do itabirito friável, a partir da década de 1970, até a exaustão da mina Cauê no início deste século. O novo ciclo representa a continuidade dessa trajetória, agora voltado ao aproveitamento de minério de ferro de baixo teor.
Segundo o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana, representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Vale, a empresa realiza adequações nas plantas de beneficiamento. As intervenções começam pela usina Cauê e devem se estender posteriormente a uma das usinas de Conceição, viabilizando novos processos de concentração do minério.
Impacto econômico ultrapassa os limites de Itabira
A relevância econômica da mineração não se restringe ao município sede da operação. O setor movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, prestadores de serviço e mão de obra distribuída por diversas cidades da região, gerando renda que circula no comércio e nos serviços de toda a microrregião.
No início de 2026, acordos firmados em assembleias sindicais resultaram em uma injeção estimada de R$ 130 milhões na economia de Itabira e região — recurso que beneficia diretamente o comércio local e regional, aquecendo a atividade econômica em municípios vizinhos.
O setor mineral brasileiro como um todo vive um momento de expansão. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) indicam que o faturamento da mineração no país alcançou R$ 77,9 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, acompanhado de geração de empregos e avanço tecnológico.
Diversificação econômica em pauta
Apesar da força do setor, há um esforço consolidado para reduzir a dependência da mineração. O Plano Itabira Sustentável, liderado pela Prefeitura de Itabira com apoio da Vale e participação da sociedade civil, reúne 61 iniciativas distribuídas em 15 eixos estratégicos voltados à diversificação da economia local.
Entre os investimentos da mineradora na região está o Projeto Rio Tanque, orçado em R$ 1,17 bilhão, destinado à ampliação do abastecimento de água. A obra prevê a construção de uma estação de tratamento e de uma adutora de 25 quilômetros, com projeção de geração de aproximadamente 1.200 empregos.
Para os trabalhadores, o novo ciclo traz desafios de adaptação às mudanças operacionais. O sindicato mantém negociações pela preservação dos postos de trabalho ao longo do período de transição, reforçando a importância da organização da categoria diante das transformações do setor.
O cenário aponta para uma continuidade da atividade mineral como pilar econômico regional pelas próximas décadas, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de planejamento para um futuro menos dependente do minério.
Redação Só Notícias Online
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