Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
Pedreiro relatou solidão e falta de vínculos com a terra natal; mesmo após ser alertado, ele continuou tentando contato com a suposta mulher.
BELO HORIZONTE (MG) – O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajou mais de 2 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, acreditando que iria morar com uma mulher que conheceu pela internet.
Ao chegar à capital mineira, neste domingo (11), ele descobriu que a mulher não existia. Ela era uma figura criada por inteligência artificial.
Perfil respondia a todos automaticamente
A personagem se apresentava nos vídeos como "Jéssica".
Segundo a reportagem que acompanhou o caso, o perfil era alimentado por conteúdo gerado por IA e enviava respostas automáticas a quem interagia com as publicações.
Ou seja, as mensagens que Edimar recebia não eram escritas por uma pessoa real, mas produzidas por um sistema que respondia da mesma forma a diversos seguidores.
Mudança após a morte da mãe
De acordo com o pedreiro, a decisão de cruzar o país começou a ser pensada depois da morte da mãe, perda que enfraqueceu sua ligação com a cidade natal.
"Eu não quero mais ficar em Imperatriz, não gosto de lá. Eu gostava de lá quando minha mãe era viva", contou.
Ele também falou sobre o peso do isolamento: "Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela".
"Para que tem um aplicativo desse?"
Ao saber da verdade, Edimar questionou a existência desse tipo de perfil. "Eu não sei nem dizer... Para que que tem um aplicativo desse, né? Se não é para existir um negócio desse, não era nem para estar aí", afirmou.
Mesmo depois de ser alertado de que se tratava de um perfil artificial, ele continuou enviando recados para tentar encontrar "Jéssica".
Não há informação de que Edimar tenha feito pagamentos ou transferências ao perfil.
Como identificar perfis criados por IA
Perfis gerados por inteligência artificial estão cada vez mais realistas nas redes sociais. Alguns sinais ajudam a desconfiar:
- Fotos e vídeos com aparência perfeita demais, pele sem textura ou fundos borrados
- Mãos, dentes, brincos e cabelo com deformações ou mudanças entre um vídeo e outro
- Respostas rápidas, genéricas e parecidas para pessoas diferentes nos comentários
- Recusa em fazer chamada de vídeo ao vivo ou desculpas constantes para não se encontrar
- Pedidos de dinheiro, presentes ou dados pessoais, ainda que de forma indireta
Antes de tomar decisões importantes, como mudar de cidade, o ideal é confirmar a identidade da pessoa por videochamada e conversar com amigos ou familiares de confiança.
Quando a solidão pesa
Especialistas apontam que perdas recentes, como a morte de um familiar, e o isolamento social deixam as pessoas mais vulneráveis a vínculos criados apenas no ambiente virtual.
Clique aqui para ver o vídeo no nosso Instagram
Quem está passando por um momento difícil pode buscar apoio na rede pública de saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou no Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Veja mais:
Últimas notícias de Minas e do Brasil
Entretenimento e curiosidades
Fonte: com informações da reportagem original