Ana Cláudia da Silva Souza passou uma noite inteira ferida na Serra do Rola-Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, depois de ser empurrada de um penhasco pelo próprio ex-companheiro. Sem celular para pedir socorro, ela resistiu até ser resgatada, com escoriações pelo corpo e o nariz fraturado. Nesta segunda-feira (29/06), a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o caso e indiciou Silvanildo Amâncio de Araújo por seis crimes.
Três tentativas até a queda
O suspeito tentou jogar a vítima de um primeiro ponto da serra, mas desistiu ao notar a presença de uma testemunha nas proximidades. Levou-a, então, a outro trecho do penhasco — ali, Ana Cláudia conseguiu se segurar duas vezes antes de ser empurrada na terceira tentativa.
O que aconteceu antes da queda
No dia do crime, Silvanildo abordou a diarista quando ela seguia para o trabalho, ameaçou-a com uma faca e a obrigou a entrar no carro, mantendo-a em cárcere privado durante todo o trajeto até a serra. Pelo caminho, roubou a bolsa, o celular, documentos e cartões bancários da vítima.
Antes de tentar matá-la, ele a submeteu a abuso sexual sob ameaça — crime que, segundo a delegada Gislaine de Oliveira Rios, teve motivação ligada à intenção de subjugar a vítima por ser mulher.
Um relacionamento marcado por perseguição
Ana Cláudia havia terminado o relacionamento em fevereiro deste ano, após um histórico de perseguições, ameaças e comportamento controlador. Ela chegou a conseguir uma medida protetiva contra Silvanildo na Justiça — mas isso não foi suficiente para impedir que ele continuasse a perseguindo, frequentando o trabalho dela, a escola da filha do casal, e chegando a observá-la pela janela da casa para onde ela se mudou após a separação.
A fuga que não aconteceu
Após o crime, Silvanildo negou inicialmente saber do paradeiro da ex-companheira, mas depois confessou ao genro que a havia empurrado da serra — indicando, no entanto, um local errado às equipes de resgate, o que atrasou em cerca de 24 horas a localização da vítima. Ele foi encontrado e preso em Várzea da Palma, chegando a confessar o crime em gravação feita por policiais militares, embora tenha permanecido em silêncio no interrogatório formal na delegacia.
Investigação aponta premeditação
Segundo a delegada responsável pelo caso, as provas reunidas mostram que Silvanildo já tinha planejado fugir para a Bahia, onde possui parentes, depois de matar a ex-companheira. No carro, ele levava dinheiro, roupas e diversos celulares — itens que, somados ao trajeto realizado até um local de difícil acesso, reforçaram a conclusão de que também havia intenção de ocultar o corpo.
Ao final da investigação, Silvanildo foi indiciado por tentativa de feminicídio, descumprimento de medida protetiva, sequestro e cárcere privado, roubo, estupro e tortura. A apuração revelou ainda um episódio anterior de violência do suspeito contra uma passageira, quando ele trabalhava como motorista de aplicativo — caso que resultou em seu banimento das plataformas.
Atenção: mulheres em situação de violência doméstica podem buscar ajuda pela Central de Atendimento à Mulher, ligando para o 180, serviço gratuito e disponível 24 horas em todo o Brasil.
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