BELO HORIZONTE (MG)- O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou, na noite desta quarta-feira (29), três torcedores cruzeirenses pelo ataque a um ônibus que resultou na morte do atleticano Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, em novembro de 2021.
O crime aconteceu na Rua Desembargador Reis Alves, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, em Belo Horizonte.
Réus já haviam sido condenados em 2024, mas julgamento foi anulado por cerceamento de defesa.
O novo júri estabeleceu as seguintes penas: Riquelme Enderson Ribeiro da Silva foi condenado a 48 anos e 6 meses de prisão; Luiz Gustavo da Silva Veloso, a 24 anos; e Pedro Henrique Coimbra Braga, a 20 anos.
Um quarto réu, Samuel Paixão de Souza, teve o processo desmembrado depois que a defesa alegou questões de saúde do advogado — o julgamento dele ainda não tem data marcada.
Por que o caso foi julgado uma segunda vez
Os réus já haviam sido condenados anteriormente, em julgamentos realizados em 2024. Na época, Samuel Paixão de Souza e Riquelme Enderson Ribeiro da Silva receberam penas de 67 e 50 anos, respectivamente, enquanto Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga foram condenados a 24 e 20 anos.
Todas essas sessões do Tribunal do Júri, no entanto, foram anuladas pelo TJMG por cerceamento de defesa, o que levou à realização de um novo julgamento.
Relembre como aconteceu o ataque
Segundo a denúncia do Ministério Público, integrantes de uma torcida organizada cruzeirense interceptaram um ônibus da linha 6350 (Estação Barreiro/Estação Pampulha) que passava pelo Anel Rodoviário, na altura do bairro Novo das Indústrias.
O ataque aconteceu logo depois de uma partida entre Atlético e Fluminense, disputada em 28 de novembro de 2021.
De acordo com a denúncia, os torcedores arremessaram pedras, pedaços de madeira, barras de ferro e artefatos explosivos contra o veículo. Mateus de Freitas Ferreira, que estava no ônibus e tentou fugir do ataque, morreu ainda durante a ação.
Outros nove passageiros ficaram feridos, a maioria moradores do próprio bairro do Barreiro.
O que foi apreendido durante a investigação
Durante as apurações, a polícia encontrou no veículo usado pelos acusados três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e um foguete — itens que embasaram parte da denúncia do Ministério Público contra os envolvidos.
Curiosidade: casos de violência envolvendo confrontos entre torcidas organizadas costumam levar anos até chegar a uma condenação definitiva no Brasil, justamente pela complexidade probatória e pela possibilidade de recursos e anulações de julgamento, como ocorreu neste processo.
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