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O mercado de commodities minerais entrou em um período de mudanças que exige das mineradoras novas estratégias para lidar com custos maiores, pressão sobre a oferta e necessidade crescente de investimentos. O assunto esteve entre os debates realizados durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte.
Especialistas e executivos do setor avaliaram que transição energética, inteligência artificial, avanços tecnológicos e tensões geopolíticas estão modificando a demanda mundial por diferentes recursos minerais. Ao mesmo tempo, a indústria precisa enfrentar desafios relacionados à implantação de novos projetos e à exploração de depósitos cada vez mais complexos.
O tema foi discutido no painel “As principais tendências no mercado de commodities minerais”, moderado pelo diretor de Operações Globais da Anglo American, Ruben Fernandes.
Geopolítica aumenta preocupação com abastecimento
Um dos pontos discutidos foi a influência de conflitos internacionais sobre as cadeias de fornecimento. O diretor sênior de Projetos Estratégicos da Mosaic, Henrique Oliveira, abordou especialmente os possíveis reflexos das tensões no Oriente Médio sobre recursos como fertilizantes.
Na avaliação apresentada durante o encontro, empresas precisam diversificar suas fontes de suprimento e ampliar a interlocução com associações e o poder público para reduzir vulnerabilidades diante de possíveis interrupções no abastecimento.
A inovação também aparece como parte dessa estratégia, principalmente por meio do desenvolvimento de soluções que permitam melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis.
Transição energética muda perspectivas para minerais
As transformações tecnológicas podem, por outro lado, abrir novas oportunidades para a mineração. O líder global do setor de Mineração e Metais da Ernst & Young (EY), Paul Mitchell, destacou que eletrificação, descarbonização e expansão da inteligência artificial devem continuar influenciando a procura por commodities minerais.
Esse movimento aumenta a importância de decisões de longo prazo. Projetos minerais normalmente exigem grandes volumes de capital e podem levar anos até atingir a fase de produção, fazendo com que as empresas precisem avaliar não apenas a situação atual dos mercados, mas também as perspectivas futuras de demanda.
Menor teor dos minérios aumenta desafio das operações
Outro obstáculo discutido durante a Exposibram está dentro das próprias minas. O vice-presidente de Assuntos Corporativos para a América Latina da BHP, René Muga Escobar, chamou atenção para a redução do teor dos minérios.
Na prática, depósitos com menor concentração mineral podem exigir o processamento de uma quantidade maior de material para obtenção do produto desejado. Essa realidade pode elevar a complexidade operacional e reforçar a necessidade de eficiência, tecnologia e planejamento.
O executivo também apontou a cooperação entre mineradoras, fornecedores e outros integrantes da cadeia como uma maneira de melhorar a previsibilidade dos projetos e criar condições para novos investimentos.
Brasil pode ganhar espaço na cadeia de minerais estratégicos
As mudanças internacionais também colocam países produtores no centro das estratégias de abastecimento. Durante o debate, o Brasil e outros países da América Latina foram apontados como regiões com possibilidade de ampliar sua participação na cadeia global de minerais estratégicos.
Esse movimento está relacionado à procura por fontes diversificadas de matérias-primas utilizadas em diferentes setores industriais e nas tecnologias associadas à transição energética.
Para transformar disponibilidade mineral em novos empreendimentos, entretanto, o setor precisa superar questões relacionadas a custos, prazos, infraestrutura e capacidade de processamento.
Novos projetos podem levar mais tempo e custar mais
O consultor sênior da CRU Group, Sebastián Gatica, apresentou três pontos que podem ser subestimados durante o planejamento de empreendimentos minerais: prazo de execução, inflação de custos e avaliação completa da cadeia de valor.
Projetos que demoram mais do que o previsto para entrar em operação podem interferir na disponibilidade futura de determinados minerais. O efeito se torna especialmente relevante em mercados nos quais a oferta já encontra dificuldades para acompanhar o crescimento da demanda.
A maior profundidade das operações e a redução do teor mineral também podem pressionar os custos. Por isso, a análise econômica de um empreendimento precisa considerar não somente a extração, mas também processamento, fornecimento e demais etapas necessárias até a chegada do produto ao mercado.
Estratégia e inovação entram no centro das decisões
As discussões realizadas na Exposibram mostram que o futuro da mineração dependerá de uma combinação de fatores. A disponibilidade de recursos continua importante, mas capacidade tecnológica, segurança das cadeias de suprimento, planejamento de investimentos e cooperação entre diferentes agentes ganham peso nas decisões empresariais.
Para regiões de forte presença mineradora, como Minas Gerais, acompanhar essas mudanças também é relevante porque decisões tomadas pelas grandes companhias podem influenciar novos projetos, contratação de fornecedores, investimentos e geração de empregos ligados à cadeia mineral.
Fonte: informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) durante a Exposibram 2026.