O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que o Brasil se tornou um país "difícil politicamente", ao comentar, durante a Cúpula do G7, a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada após Trump ser questionado sobre sua interação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o encontro internacional.
Segundo o republicano, ele teria passado bastante tempo ao lado de Lula no evento, mas fez questão de comentar o cenário político brasileiro. Trump declarou que o país está ficando "um pouco difícil" politicamente, classificando a situação como "perigosa" e "feia".
Na sequência da entrevista, Trump mencionou ter recebido a informação de que a Justiça brasileira havia decidido prender um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, o presidente americano demonstrou confusão entre os irmãos: tratou Eduardo, que foi de fato condenado, como se fosse Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência da República pelo partido.
Segundo Trump, ele teria ficado sabendo que prenderam alguém que concorre à Presidência, logo após se despedir de Lula no evento . O presidente americano alegou que o "Bolsonaro Jr" estava bem posicionado nas pesquisas eleitorais e teria sido alvo da Justiça por causa de uma declaração feita no Texas. Na ocasião, Trump também voltou a repetir críticas ao próprio sistema eleitoral americano, afirmando que as eleições nos Estados Unidos são "totalmente manipuladas" e "fraudadas" — uma alegação recorrente do presidente desde sua disputa eleitoral anterior, mesmo sem comprovação das fraudes citadas.
A declaração de Trump faz referência à decisão da Primeira Turma do STF que condenou, na terça-feira (16), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão e a oito anos de inelegibilidade, pelo crime de coação no curso do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi unânime, com votos dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Após a condenação, Eduardo Bolsonaro declarou ao portal Metrópoles que pretende levar o caso a autoridades norte-americanas, incluindo a Casa Branca, o Departamento de Justiça e o Congresso dos Estados Unidos, classificando a decisão do STF como uma "afronta ao governo dos EUA".
Em outra entrevista, à Rede Comunica Brasil, o ex-deputado questionou por que Trump não teria sido incluído no mesmo processo, já que o presidente americano sancionou autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, por meio da Lei Magnitsky e de sanções da OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA), mecanismos que permitem ao governo americano congelar bens e restringir vistos de autoridades estrangeiras consideradas violadoras de direitos humanos ou da democracia.
A confusão de Trump entre os nomes dos irmãos Bolsonaro chamou atenção nas redes sociais brasileiras, já que Flávio Bolsonaro, mencionado erroneamente pelo presidente americano, segue sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro, enquanto Eduardo, de fato condenado, deixou o mandato de deputado federal em dezembro de 2025 e reside nos Estados Unidos desde então.
O episódio ocorre em meio a um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, marcado por sanções impostas pelo governo americano a autoridades brasileiras e por críticas recorrentes de Trump ao Judiciário brasileiro desde o início do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em 2025 pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A repercussão da fala de Trump reforça o interesse internacional crescente em torno do desfecho político-judicial da família Bolsonaro, especialmente em ano eleitoral no Brasil, com Flávio Bolsonaro consolidado como pré-candidato do PL à Presidência da República.
Com informações do Pleno News.
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