A Seleção Brasileira entra em campo nesta sexta-feira, 19 de junho, às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Haiti pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026 — grupo que também conta com Marrocos e Escócia. O duelo reedita um confronto histórico entre as duas seleções, realizado há mais de duas décadas e carregado de um significado que vai muito além do futebol.
Brasil e Haiti mantêm uma relação diplomática historicamente próxima, evidenciada pela participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). O Brasil esteve à frente da missão entre 2004 e 2017, desempenhando papel central nos esforços de estabilização do país caribenho — atuação que ganhou ainda mais relevância após o terremoto de 2010, que provocou uma grave crise humanitária na nação. Além de contribuir com tropas e assistência emergencial, o governo brasileiro foi o primeiro a realizar aportes financeiros ao Fundo de Reconstrução do Haiti.
O episódio mais marcante dessa parceria aconteceu em 18 de agosto de 2004, quando a Seleção Brasileira, então campeã mundial, enfrentou o Haiti em um amistoso realizado no Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe. Na época, o país vivia um contexto de rebelião e instabilidade política que havia culminado na renúncia do então presidente Jean-Bertrand Aristide, com confrontos armados entre facções rivais.
Conhecido como "Jogo da Paz", o evento buscava incentivar uma campanha de desarmamento no país, permitindo que a população trocasse armas por ingressos para assistir à partida. Durante as horas que envolveram o jogo, os confrontos entre as facções rivais foram interrompidos — um futebol literalmente parando uma guerra, mesmo que temporariamente.
Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil goleou o Haiti por 6 a 0, com três gols de Ronaldinho Gaúcho, dois de Roger Flores e um de Nilmar. A Seleção daquela época contava ainda com nomes como Júlio César, Roberto Carlos, Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador — um time estelar reunido por um propósito que transcendia o resultado dentro de campo. A recepção da população local foi calorosa: milhares de haitianos ocuparam as ruas da capital para acompanhar a passagem dos jogadores brasileiros até o estádio.
A importância simbólica do episódio foi posteriormente retratada no documentário "O Dia em que o Brasil Esteve Aqui", lançado em 2005 e dirigido por Caíto Ortiz e João Dornelas — um registro audiovisual que eternizou aquele momento de trégua proporcionado pelo futebol.
Vinte e dois anos depois daquela partida histórica, Brasil e Haiti voltam a se enfrentar — desta vez em uma Copa do Mundo, com contextos completamente diferentes, mas carregando o peso simbólico de uma relação que atravessou décadas. A expectativa é que o técnico Carlo Ancelotti promova mudanças na equipe titular após o empate na estreia contra o Marrocos, com possíveis entradas de Danilo na lateral-direita, Fabinho no meio-campo e Matheus Cunha no ataque.
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