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Economia

Crise no Paraguai: quebra de banco digital acende alerta para brasileiros e empresas

Banco Central paraguaio interveio no Ueno Bank, que tem cerca de 3 milhões de clientes; entenda os riscos para exportadores, investidores e brasileiros

Walisson Silva
Por Walisson Silva
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Crise no Paraguai: quebra de banco digital acende alerta para brasileiros e empresas
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A crise no Paraguai envolvendo o Ueno Bank, maior banco digital do país, ligou o sinal de alerta do lado brasileiro da fronteira. Na terça-feira (3/11), o Banco Central del Paraguay (BCP) abriu um procedimento de resolução da instituição após constatar que o índice de solvência estava abaixo de 50% do mínimo exigido.

Na prática, a medida funciona como uma intervenção: o banco passa a ser administrado por interventores nomeados pela Superintendência de Bancos, que vão levantar a real situação patrimonial da instituição. Segundo o BCP, a proteção dos depositantes é a prioridade do processo.

O que aconteceu com o Ueno Bank

O Ueno começou como financeira e cresceu rapidamente com um modelo digital, em que a conta é aberta pelo celular em poucos minutos. Em 2024, absorveu o Visión Banco e se tornou um dos maiores bancos do Paraguai, com cerca de 3 milhões de clientes, número que equivale a boa parte da população adulta do país.

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De acordo com o Banco Central paraguaio, a supervisão sobre o banco havia começado meses antes, quando foram identificados créditos ligados a empresas do grupo controlador. Com a intervenção, clientes relataram dificuldade para acessar aplicativo, cartões e contas.

O BCP classificou o episódio como um caso pontual e afirmou que ele não representa uma crise generalizada do sistema financeiro paraguaio.

Repercussão política

O caso também ganhou dimensão política. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que já havia comandado o Ueno antes de assumir o cargo, renunciou no mesmo dia do anúncio. Ele declarou que deixava a função para reduzir o que chamou de interferências políticas e midiáticas no trabalho da instituição.

Segundo agências internacionais como AP e Reuters, o banco pertence ao Grupo Vázquez, que teve o presidente Santiago Peña como sócio comercial até março de 2025. O Banco Central afirma que Carvallo se absteve de decisões relacionadas ao Ueno durante sua gestão.

Por que a crise no Paraguai preocupa o Brasil

Brasil e Paraguai mantêm uma relação comercial intensa. Dados da Receita Federal mostram que o Porto Seco de Foz do Iguaçu movimentou US$ 9,7 bilhões em mercadorias em 2025, e cerca de 77,5% dos caminhões processados no local tinham ligação com o Paraguai.

Por isso, uma desaceleração prolongada da economia paraguaia poderia afetar exportadores, transportadoras e fornecedores brasileiros. Até agora, porém, não há dados que mostrem queda nas exportações do Brasil por causa da crise bancária.

Empresas brasileiras que atuam no país vizinho podem enfrentar crédito mais restrito, consumidores mais cautelosos e eventuais atrasos em pagamentos. O impacto deve variar conforme o grau de dependência de cada negócio em relação ao financiamento bancário local.

E quem tem dinheiro no Paraguai?

Os mais afetados de forma direta são os clientes do Ueno Bank. Quem tem conta em outros bancos paraguaios não está, automaticamente, exposto ao mesmo risco.

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre até 228,3 milhões de guaranis por depositante em cada instituição, valor equivalente a cerca de US$ 38 mil. Segundo estimativa preliminar do Banco Central, cerca de 97% dos depositantes do Ueno estão totalmente cobertos por esse limite.

Um ponto importante: o FGC brasileiro não cobre depósitos feitos em bancos paraguaios. Além disso, uma eventual desvalorização do guarani pode reduzir o valor do dinheiro quando convertido em reais, embora esse efeito não seja automático.

Imóveis e empresas no Paraguai não são perdidos por causa da quebra de um banco. Mas uma instabilidade longa pode dificultar a venda desses bens e reduzir seu valor de mercado.

Cuidados recomendados

  • Acompanhar apenas os comunicados oficiais do Banco Central del Paraguay;
  • Guardar contratos, extratos e comprovantes de depósitos;
  • Desconfiar de mensagens que prometem liberar valores mediante pagamento antecipado — é golpe;
  • Empresas devem avaliar a exposição a financiamentos, recebimentos e variação cambial;
  • Evitar concentrar todo o patrimônio em uma única instituição ou tipo de investimento.

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Fonte: Banco Central del Paraguay, Receita Federal, Jornal Contábil, Forbes, AP e Reuters

Walisson Silva

Publicado por:

Walisson Silva

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